?Dançar COM o parceiro e não CONTRA ele é dançar bem?. A afirmação é de Olívia Dasso, grande salsera norte-americana. Apesar da distância que a separa de nós brasileiros, a ex-parceira de Johnny Vazquez concorda com a maioria dos participantes do fórum Dançar X Executar, criado a partir da proposta do colunista deste site, Ricardo Garcia. Como definir o que é dançar bem? Durante dias, a pergunta se transformou em polêmica, com direito a mensagens apaixonadas e até protestos.
A maioria dos que participaram do debate afirma que dançar bem é sinônimo de respeito ao parceiro. Nosso já conhecido Stacey López foi procurado para responder à questão. Diretamente da Espanha, ele disse que ?dançar bem é não tentar fazer com que o parceiro dance mais do que a técnica dele permite?. O porto-riquenho também falou sobre a importância das noções de ritmo, da sensibilidade e, principalmente, da diversão quando o assunto é salsa.
Quanto maior o envolvimento com o ritmo latino mais fácil perceber que aquilo a que chamamos de ?universo salsero? é muito mais do que uma metáfora. A música, os estilos, a técnica e a cultura latina formam um conjunto harmonioso que rapidamente toma conta da vida de quem mergulha na salsa. E não é surpresa a associação do prazer e da diversão com a idéia de dançar bem. Quem freqüenta as casas do ritmo ou participa de um grande evento do ramo não sai imune a tanta energia. É essa a pulsão que incentiva os iniciantes a dar os primeiros passos, sem pedir nada em troca.
Esse é o terceiro aspecto mais debatido pelos salseros. Segundo as colocações, na salsa nem sempre aquele que tem mais técnica é o melhor dançarino ? sendo esse um dos aspectos peculiares da dança. Se tomarmos o balé como parâmetro, é fácil notar essa diferença. Para um profissional, encarar uma montagem clássica exige perfeição técnica, acima de tudo. Obviamente, aquele que consegue agregar técnica e carisma é digno de louvor. Ana Botafogo que o diga. Já na salsa, emoção e ritmo compõem a fórmula essencial da dança. A técnica vem como conseqüência do amadurecimento como amantes do ritmo. Um verdadeiro namoro. Salsa e Eu ? quanto mais nos conhecemos, mais nos apaixonamos.
Também não podemos deixar de citar o que Douglas Mohmari disse. De acordo com ele, existem várias categorias dentro da boa dança. Tem ?o que dança muito porque conduz muito bem (Super Mário), o que dança bem porque agrada à muchacha (Vazquez), o que dança bem porque é bonito de se ver (Alex da Silva), o que dança bem porque interpreta muito bem (Alex Lima)?. De fato, podemos aceitar a questão do relativismo colocada por Mohmari a partir do momento que consideramos a própria dança como uma forma de arte. E a definição desta, segundo muitos especialistas como o inglês Gombrich, é uma questão de ponto de vista. Para ele, não existe arte com ?A? maiúsculo. Ou seja, a concepção de arte está aberta, sempre pronta para ser estudada e desvendada. Assim também deve ser para nós, que conhecemos a riqueza da salsa. Defini-la ou impor limites a ela seria contradizer a sua própria diversidade.